Anticorpos e Tireóide

ANTICORPOS E TIROEIDE: Anti-t ireoperoxidade (TPO), anti receptor de TSH (TRAB) e Anti-Tireoglobulina (TGB)

Tireoidite de Hashimoto e doença de Graves

As principais doenças da glândula tireoide, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, têm uma origem autoimune, ou seja, são provocadas pelo surgimento de anticorpos contra a própria tireoide. Atualmente, conseguimos identificar através de exames de sangue a presença de pelo menos três anticorpos antitireoidianos: Anti-TPO, TRAB e anti-tireoglobulina.

Uma doença autoimune é aquela que aparece devido a um defeito do sistema imunológico, que, inapropriadamente, passa a produzir anticorpos contra nós mesmos. Em vez de produzir anticorpos somente contra vírus, bactérias ou outros agentes invasores nocivos, o sistema imunológico cria anticorpos que apresentam dificuldades em distinguir uma bactéria ou vírus de uma proteína natural de um órgão ou tecido do nosso organismo.

No caso das doenças autoimunes da glândula tireoide, as duas mais comuns são a tireoidite de Hashimoto a doença de Graves. Em ambas, o sistema imunológico passa a produzir anticorpos que atacam proteínas específicas da glândula tireoide. Os anticorpos se ligam a determinados pontos da tireoide e passam a atacá-los, provocando uma grande reação inflamatória local e destruição do tecido sadio da glândula tireoide.

A tireoperoxidade (TPO) é uma enzima presente nas células epiteliais da tireoide que participa da síntese dos hormônios tireoidianos. Mais de 90 dos pacientes com tireoidite de Hashimoto possuem anticorpos anti-TPO (antigamente chamado anticorpos anti-microssomal). Os anticorpos anti-TPO também estão presentes na doença de Graves, mas em menor frequência, ao redor de 75 dos casos.

Todavia, é bom salientar que cerca de 15 da população geral sadia e das gestantes, sem doenças da tireoide, podem ter anticorpos anti-TPO positivos, sem que isso tenha significado clínico imediato. Os anticorpos anti-TPO também são comuns em familiares de pacientes com doenças autoimunes da tireoide. 50 deles têm anti-TPO positivo sem ter qualquer sinal de doença da tireoide. Portanto, não basta ter anticorpos Antitireoidianos presentes para se desenvolver doença autoimune da tireoide. Outros fatores ainda não totalmente elucidados são necessários.

Em geral, pacientes com anticorpos anti-TPO apresentam maior risco de desenvolverem doenças autoimunes da tireoide, principalmente se já tiverem critério para hipotireoidismo subclínico. Na verdade, este é o grupo de pacientes que mais se beneficia da pesquisa do anti-TPO, pois um valor elevado sugere que o paciente tem o dobro de chance do seu hipotireoidismo subclínico evoluir para hipotireoidismo franco quando comparado com pacientes sem anticorpos anti-TPO .
A tireoglobulina é uma substância precursora dos hormônios da tireoide, que costuma ficar estocada dentro do tecido tireoidiano. A presença de anticorpos contra a tireoglobulina é muito comum na tireoidite de Hashimoto, estando presente em 80 a 90 dos casos. Em geral, pacientes com Hashimoto apresentam anti-tireoglobulina e anti-TPO positivos. A presença de anti-tireoglobulina positiva e anti-TPO negativo na tireoidite de Hashimoto é pouco comum.

Assim como ocorre com os anticorpos anti-TPO, os anticorpos anti-tireoglobulinas também podem estar presentes também na doença de Graves. Cerca de 50 a 70 dos pacientes com Graves tem estes anticorpos positivos.

Apesar de estarem muito relacionados às doenças autoimunes da tireoide, a presença de anticorpos anti-tireoglobulinas não significa necessariamente que o paciente tenha ou venha a ter algum problema da tireoide. Cerca de 15 da população saudável e das grávidas podem ter esses anticorpos detectáveis no sangue, sem que isso tenha relevância clínica.
Ao contrário do anti-TPO, os anticorpos anti-tireoglobulina podem desaparecer após anos de tratamento do hipotireoidismo.

O TSH

O TSH é um hormônio liberado pela glândula hipófise, que age estimulando a produção de hormônios pela tireoide. Os receptores de TSH localizados na tireoide podem ser alvo de ataque de anticorpos, que recebem o nome de anticorpos anti-receptores de TSH (TRAB).

Ao contrário do anti-TPO e do Anti-Tg, que são mais comuns na tireoidite de Hashimoto que na doença de Graves, o TRAB encontra-se presente em até 95 dos casos de Graves e apenas em 20 dos pacientes com Hashimoto. Outra diferença relevante é o fato do TRAB não estar, habitualmente, presente na população em geral sadia.
Os anticorpos anti-receptores de TSH podem se ligar aos receptores de TSH e estimulá-los, levando a tireoide a produzir hormônios tireoidianos em excesso. O TRAB também pode se ligar aos receptores de TSH e bloqueá-los, impedindo que o TSH atue sob a tireoide, provocando, assim, um estado de hipotireoidismo.

Na maioria dos laboratórios o valor de referência para o TRAB é menor que 1,5 U/L. A dosagem do TRAB pode ser usada para acompanhar a eficácia do tratamento, uma vez que o seus valores costumam cair conforme a doença de Graves é controlada.
Em geral, o TRAB, anti-TPO e a anti-tg não são essenciais para o diagnóstico das doenças da tireoide. E a pesquisa do TRAB também pode ser útil no seguimento dos paciente sob tratamento para hipertireoidismo. O controle da doença está associado à queda dos valores do TRAB.

O Endocrinologista é o médico indicado para esclarecer melhor sobre a realização desses exames e seu significado clínico.

Endocrinologista RJ - Luciana Spina

Por: Dra. Luciana Spina

Luciana Spina é Médica Doutora em Endocrinologia, Especialista em Endocrinologia pela SBEM, premiada e reconhecida internacionalmente.

2018-04-18T13:48:33+00:00 27 de março de 2018|Tireóide|